O Segundo Reinado foi o período em que Dom Pedro II foi o imperador do Brasil e se estendeu de 1840, com o Golpe da Maioridade e foi até 1889, com a Proclamação da república.
O Segundo Reinado foi um período que se estendeu de 1840 a 1889 e no qual o trono brasileiro foi ocupado por Dom Pedro II. Ele assumiu como imperador por meio do Golpe da Maioridade, mantendo-se no poder até 1889, quando foi destituído por um golpe conduzido por militares e por civis que resultou na Proclamação da República.
Ao longo do Segundo Reinado, diversos acontecimentos importantes aconteceram, entre eles o avanço da causa abolicionista, que resultou na Lei Áurea, a consolidação da economia cafeeira, fazendo de São Paulo o centro da economia brasileira, e a Guerra do Paraguai, maior conflito de nossa história.
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O Segundo Reinado é o período da história brasileira que corresponde ao reinado de Dom Pedro II, segundo imperador do Brasil. O reinado dele começou em 1840 e estendeu-se até 1890, sendo que os marcos de início ao fim desse reinado foram o Golpe da Maioridade e a Proclamação da República.
O Segundo Reinado ficou marcado por uma relativa estabilidade política construída por Dom Pedro II, neutralizando a disputa entre liberais e conservadores. Economicamente, foi um período que presenciou o crescimento da economia cafeeira, fazendo do café o principal produto da economia brasileira. A região Sudeste foi a mais beneficiada desse novo ciclo.
O ciclo do café reforçou a utilização de mão de obra escrava, assunto que se tornou uma pauta política importante do período do Segundo Reinado. A sociedade brasileira dividiu-se entre escravocratas e abolicionistas, mas, apesar disso, a abolição da escravatura aconteceu, em meio a um grande cenário de resistência contra a escravidão.
Um divisor de águas na história do Segundo Reinado foi a Guerra do Paraguai, maior conflito da história do Brasil, enquanto nação protagonista. O envolvimento nessa guerra gerou um grande peso na economia brasileira e custou muito ao Império. A decadência da monarquia, iniciada após o conflito, levou ao seu fim, em 1889.
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O Segundo Reinado foi marcado pelos quase 50 anos do reinado de Dom Pedro II, sendo que o reinado dele pode ser dividido nas seguintes fases:
O Segundo Reinado foi um período de longa duração, com o reinado de Dom Pedro II possuindo quase 50 anos de extensão. O Brasil passou por inúmeras transformações no período, mas algumas das características que se destacam são:
A política do Segundo Reinado era complexa, e Dom Pedro II teve de dar uma atenção extra aos partidos políticos para manter a estabilidade do seu reinado. Os dois partidos eram o Partido Conservador e o Partido Liberal, os quais tinham uma pequena diferença ideológica entre si, mas que, em geral, eram representantes dos mesmos interesses e das mesmas classes sociais.
A disputa entre liberais e conservadores foi acirrada no começo da década de 1840, quando Dom Pedro II ainda consolidava-se na função de imperador. Por essa razão, o sistema político estabelecido no Segundo Reinado permitia um revezamento entre liberais e conservadores. No longo prazo, isso garantiu a estabilidade do Segundo Reinado.
O sistema em questão era o parlamentarismo às avessas. Nesse sistema, o Brasil era governado como em uma monarquia parlamentarista, havendo um gabinete ministerial, que chefiava o governo e os parlamentares. Com isso, se o imperador não estivesse satisfeito com a atuação do gabinete ou dos deputados, ele poderia dissolver o Parlamento e convocar novas eleições.
Ao todo, ao longo dos anos do Segundo Reinado, foram formados 36 gabinetes diferentes, o que mostra que a rotatividade no poder entre liberais e conservadores era elevada. A possibilidade de mudança rápida na chefia do governo foi o que garantiu esse convívio mais harmônico entre liberais e conservadores.
No que se refere à economia, os dois grandes destaques são a economia cafeeira, que se consolidou como o principal item da economia brasileira, e a embrionária industrialização que foi esboçada no país. O destaque, claro, vai para o café, o principal item de exportação da economia brasileira até a década de 1950.
O café foi introduzido no Brasil no século XVIII e, no século XIX, popularizou-se como principal atividade econômica. As duas grandes regiões produtoras de café no país foram o Vale do Paraíba (localizado no Rio de Janeiro e parte de São Paulo) e o Oeste Paulista. Uma região secundária na produção cafeeira foi a Zona da Mata de Minas Gerais.
No que se refere à industrialização, o Brasil viveu um pequeno surto de desenvolvimento industrial entre as décadas de 1840, de 1850 e de 1860. Nesse período, o país teve um aumento na navegação a vapor e viu as estradas de ferro multiplicarem-se, sobretudo visando ao aumento das exportações do país. Um dos símbolos desse período foi Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá.
Um acontecimento crucial na história do Segundo Reinado foi a abolição do trabalho escravo, fato que ocorreu em 1888. O processo de abolição no Brasil foi lento e atendeu aos interesses da elite escravocrata, que não queria abrir mão dos seus trabalhadores escravos. O ponto de partida foi a proibição do tráfico negreiro por meio da Lei Eusébio de Queirós em 1850.
As discussões pela abolição ou por reformas que ampliassem a libertação dos escravos estenderam-se nas décadas seguintes e foram acaloradas. Desses debates, foram criadas duas leis:
Entretanto, a abolição do trabalho escravo no Brasil foi resultado da mobilização escrava e de uma parcela da sociedade brasileira, sobretudo a partir da década de 1870. A resistência dos escravos deu-se por meio das fugas, da formação de quilombos, da criação de redes de informação, das revoltas violentas, da recusa em trabalhar etc.
Houve também mobilização nas grandes cidades e formação de grupos que atuavam legal e ilegalmente para ajudar o máximo possível os escravos a obterem sua liberdade. Existiam aqueles que escondiam escravos fugidos, davam-lhe alimentos, auxiliavam no transporte deles para quilombos, atuavam nos tribunais processando escravocratas etc.
O resultado foi que a escravidão se tornou uma instituição extremamente frágil no final da década de 1880, e isso abriu caminho para que a Lei Áurea fosse assinada pela Princesa Isabel em 13 de maio de 1889. Após a abolição, os ex-escravos não receberam nenhum tipo de oportunidades por parte do governo brasileiro.
Um acontecimento divisor de águas na história do Segundo Reinado foi a Guerra do Paraguai. Esse conflito ocorreu de 1864 até 1870, deixando milhares de mortos nos quatro países envolvidos (até hoje, não se tem uma estimativa segura de quantos morreram nessa guerra): Paraguai, Uruguai, Argentina e Brasil.
O Brasil, assim como o Uruguai e a Argentina, fazia parte da Tríplice Aliança e todos lutaram contra o Paraguai, país governado pelo ditador Francisco Solano López. Esse conflito foi motivado pelas divergências de interesses em questões econômicas, territoriais e políticas que envolviam a relação do Paraguai com as outras nações da Bacia do Prata.
O acontecimento crucial para o início da guerra foi a interferência do Brasil na disputa política entre blancos e colorados, grupos que disputavam o poder no Uruguai. O envolvimento do Brasil em defesa dos colorados motivou o Paraguai (aliados dos blancos) a atacar o Brasil em dezembro de 1864 como represália.
A guerra só se encerrou quando Solano López foi morto por tropas brasileiras na Batalha de Cerro Corá. O Paraguai sofreu grande destruição material e em vidas humanas, e o Brasil colheu problemas na economia causados pelos grandes gastos no conflito. A imagem da monarquia e a imagem de Dom Pedro II ficaram abaladas depois dessa guerra.
Outros acontecimentos relevantes na história do Segundo Reinado foram:
Após a década de 1870, a monarquia entrou em crise. Ela já não conseguia atender às demandas e aos interesses de uma parcela considerável da sociedade, incluindo classes urbanas, alguns grupos políticos representantes das elites e os militares. Ao redor desses grupos, a república começou a surgir como uma alternativa.
O principal foco de insatisfação foi o Exército, que buscava valorização à sua carreira depois do esforço realizado pelos militares na Guerra do Paraguai. Os militares queriam aumentos salariais e um bom sistema de promoção. Além disso, abraçaram os ideais positivistas, passando a defender a formação de uma república autoritária para modernizar o Brasil.
A década de 1880 foi marcada por uma crise política crônica, e a monarquia perdia cada vez mais apoio. Grupos de militares e civis começaram a conspirar contra o imperador Dom Pedro II, e essa conspiração resultou no 15 de novembro de 1889. Nesse dia, o marechal Deodoro da Fonseca liderou a derrubada do gabinete ministerial, e o vereador José do Patrocínio proclamou a república.
Dom Pedro II foi destronado, e, juntamente da família real, foram expulsos do Brasil, partindo para o exílio na Europa no dia 17 de novembro de 1889. O ex-imperador nunca mais retornou ao Brasil e morreu em Paris, no ano de 1891.
Com o fim do Segundo Reinado, foi formado um Governo Provisório com a missão de consolidar a instalação da república no Brasil. Os membros decidiram convidar o marechal Deodoro da Fonseca a assumir a presidência do Brasil em caráter provisório até que uma Constituição fosse promulgada e uma eleição presidencial realizada.
O governo de Deodoro da Fonseca foi marcado pela instabilidade e por seu autoritarismo, desentendendo-se constantemente com o Congresso Nacional. Acabou renunciando à presidência, sendo sucedido por seu vice, Floriano Peixoto, também marechal. Essa fase da história brasileira ficou conhecida como Primeira República (ou República Velha).
A Primeira República foi um período marcado pelo domínio das oligarquias, grupos formados pela elite econômica do Brasil que dominavam a política nacional. Essas oligarquias transformaram a Primeira República (ou República Velha) em um período marcado pelo coronelismo, pelo mandonismo, pelo clientelismo com práticas como o voto de cabresto e pelas fraudes eleitorais.
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Questão 1
(ADM&TEC) Durante o Segundo Reinado Brasileiro (1840-1889), ocorreram transformações na economia e política. Selecione a opção correta.
A) A cafeicultura não exerceu influência significativa na balança comercial, focando em consumo interno.
B) A consolidação da economia cafeeira e a projeção externa do Império, aliadas às tensões com o Exército (após a Guerra do Paraguai), suscitaram questionamentos ao regime monárquico, apontando futuras crises.
C) A Guerra do Paraguai não afetou a estrutura militar, pois o Brasil contava com exércitos mercenários.
D) O tráfico de escravizados foi incentivado, ignorando pressões internacionais.
E) Todas as alternativas estão incorretas.
Resolução:
Alternativa B.
A queda da monarquia foi resultado de uma série de insatisfações que se consolidaram ao longo do século XIX, fazendo com que a monarquia perdesse o apoio de grupos importantes, como os militares, os cafeicultores e os membros da Igreja Católica. Um golpe marcou o fim da monarquia, em 1889.
Questão 2
(Instituto Avança SP) No contexto da Política Internacional do Segundo Reinado brasileiro, a Questão Christie (1861-1865) representou:
A) Um incidente diplomático entre Brasil e Inglaterra que resultou no rompimento das relações diplomáticas entre os dois países após o naufrágio do navio Prince of Wales.
B) Uma disputa territorial com a França pela região do Amapá, cuja resolução foi obtida somente anos depois, através de um processo de arbitramento internacional que envolveu mediação externa.
C) Um conflito com o Uruguai que teve como causa principal as perseguições sofridas pelos brasileiros residentes na fronteira, além de tensões em torno de interesses comerciais e territoriais.
D) Uma crise diplomática com os Estados Unidos, desencadeada pelo aprisionamento de navios norte-americanos capturados pela marinha brasileira, suspeitos de participarem do tráfico de escravos, proibido por lei.
E) Um embate com Portugal sobre a linha de sucessão ao trono português após a morte de Dom João VI, que criou impasses diplomáticos entre as duas nações por questões dinásticas.
Resolução:
Alternativa A.
A Questão Christie foi uma crise diplomática que ocorreu entre o Brasil e a Reino Unido entre os anos de 1862 e de 1865. A crise entre as duas nações iniciou-se com o Bill Aberdeen, que ampliava a pressão inglesa pelo fim do tráfico negreiro. A crise ampliou-se com o naufrágio de um navio inglês na costa brasileira, e uma série de outros acontecimentos levaram ao rompimento na relação entre os países.
Fontes
FAUSTO, Boris. História Concisa do Brasil. São Paulo: Edusp, 2018.
REZZUTTI, Paulo. Pedro II: o último imperador do Novo Mundo revelado por cartas e documentos inéditos. São Paulo: Leya, 2014.
SCHWARCZ, Lilia Moritz e STARLING, Heloísa Murgel. Brasil: Uma Biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.