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Império Romano

O Império Romano corresponde à última fase da história romana, estendendo-se de 27 a.C. a 476. Foi o período auge da história romana, mas também marcou seu declínio.

Mapa Império Romano. Império Romano, no auge de sua expansão territorial, em 117.

O Império Romano foi a terceira e última fase da história romana, iniciando-se em 27 a.C., com a coroação de Otávio como Augusto, e se encerrou em 476, quando o último imperador romano, Rômulo Augusto, foi derrubado do trono pelos hérulos, um povo germânico que invadiu as terras romanas.

A fase imperial é marcada pela centralização do poder na figura do imperador, sendo o período auge da história romana, quando o Império Romano alcançou seu maior ciclo de prosperidade e sua maior extensão territorial. No entanto, a partir do século III, uma crise se estabeleceu em Roma, levando à desgregação da porção ocidental do império.

Leia também: Roma Antiga — todas as fases da história romana

Resumo sobre o Império Romano

  • O Império Romano foi a terceira e última fase da história milenar da civilização romana.

  • Esse período se estendeu de 27 a.C. a 476, possuindo como marcos a entronização de Otávio como Augusto e a destituição do último imperador romano, respectivamente.

  • Foi o período de maior prosperidade econômica e do auge territorial romano.

  • No século III, o Império Romano entrou em crise, iniciando-a pela decadência de sua economia.

  • As invasões germânicas, a partir do século III, tornaram a decadência romana algo catastrófico.

O que foi o Império Romano?

O Império Romano é a terceira e última fase da história romana, estendendo-se de 27 a.C. até 476. Os marcos que delimitam esse período foram a entronização de Otávio e a destituição de Rômulo Augusto do trono romano. Esse último, inclusive, marcou o fim do Império Romano, pelo menos em sua porção ocidental.

Essa é a fase na qual ocorreu a centralização do poder na figura do imperador, que se tornou a figura mais poderosa das terras romanas. Os historiadores entendem que o Império Romano marcou o auge da expansão romana, com o império expandindo as fronteiras romanas ao seu máximo, além de ter conquistado uma enorme estabilidade política e uma grande prosperidade econômica nos primeiros séculos.

No entanto, na fase imperial, Roma iniciou um declínio irreversível e que levou à desagregação de sua porção ocidental, sendo ocupada por diferentes povos germânicos. Ao longo do Império Romano, diversos imperadores estiveram no poder, como Otávio, Nero, Calígula, Marco Aurélio, Constantino, Diocleciano, entre outros.

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Contexto histórico do Império Romano

O início do Império Romano se deu em um cenário de crise política, agitação social, guerras civis, entre outros problemas. Roma viu seu território crescer exponencialmente durante a fase republicana, conquistando inúmeras terras e tornando-se a força hegemônica na região do Mediterrâneo.

A ampliação do território romano deu origem a debates na política romana a respeito da forma como o poder era exercido por Roma. Muitos começaram a se opor ao poder partilhado e concentrado nas mãos do Senado, passando a defender que o poder deveria ser centralizado em um imperador.

Essa busca pela centralização do poder foi reforçada pela popularização dos militares em Roma. Os generais que lideravam as tropas romanas nas campanhas de conquista e anexação de novas terras passaram a se tornar figuras populares e influentes. Isso reforçou disputas políticas a partir do século II a.C. pelo poder romano.

Para resolver as disputas pelo poder, foi estabelecido o Triunvirato, uma forma de governo na qual Roma seria governada conjuntamente por três homens. Essa forma de governo também não solucionou as questões políticas em Roma e os dois triunviratos existentes resultaram em guerras civis.

O Primeiro Triunvirato foi formado por Júlio César, Crasso e Pompeu. Uma guerra se iniciou, e Júlio César estabeleceu-se no poder, sendo assassinado em 44 a.C. por membros do Senado romano.

O Segundo Triunvirato, por sua vez, foi formado por Otávio, Marco Antônio e Lépido, também resultando em guerra, que se encerrou com a vitória de Otávio.

A vitória de Otávio o transformou em uma figura de grande poder político, garantindo poderes exclusivo do Senado; tornou-se comandante-em-chefe das tropas romanas e recebeu o título de Augusto, que o tornava uma figura digna de veneração. Em resumo, Otávio concentrou todo o poder em si, inaugurando o império.

Estátua de Otávio Augusto, o primeiro imperador romano.[1]

Características do Império Romano

Ao longo do Império Romano, as seguintes características podem ser destacadas:

  • Concentração de poder na figura do imperador: o imperador era o responsável pela administração do império, possuindo poderes políticos, religiosos, militares, etc.

  • Dependência do trabalho dos escravos: a economia romana dependia da obtenção de escravos para ser produtiva. Esses escravos eram obtidos nas guerras de conquista, atuando em diversos ofícios.

  • Politeísmo: a cultura religiosa romana baseava-se na adoração de diversos deuses, inclusive deuses assimilados de outras culturas.

  • Pax Romana: durante os dois primeiros séculos do Império Romano, a Pax Romana foi uma característica importante do domínio romano. O império promovia a aculturação das regiões dominadas, também promovendo melhorias nessas regiões para mantê-las satisfeitas e leais ao domínio romano.

  • Exército profissional: a profissionalização do exército romano vinha desde a fase republicana, sendo mantida no império e sendo fundamental para a expansão e sustentação do poder romano.

Leia também: O poderoso exército romano

Fases do Império Romano

Não é comum que o Império Romano seja dividido em fases na historiografia recente, mas há uma periodização não muito utilizada que dividiu a história imperial romana em duas fases: Principado (27 a.C. – 285) e Dominato (285-476).

O que diferencia um período do outro é a condição do Império Romano e a forma como os imperadores assumiam o seu poder. No Principado, havia a cultura dos imperadores de não explorar publicamente a condição de imperador; no Dominato, acontecia o inverso, com os imperadores explorando todos os mecanismos para reforçar sua posição publicamente.

A respeito da história do Império Romano, também podem ser levadas em consideração as dinastias do período imperial. As dinastias foram as seguintes:

  • Júlio-Claudiana (27 a.C. – 6868 d.C.);

  • Flaviana (69-96);

  • Nerva-Antonina (96-192);

  • Severa (193-235);

  • Górdia (238-244).

Houve outras dinastias, mas essas já ocorreram em um contexto de enfraquecimento da porção ocidental do Império Romano e do fortalecimento da porção oriental, sobretudo por conta da fundação da cidade de Constantinopla no século IV. Essas dinastias foram:

  • Constantiniana (305-363);

  • Valentiniana (364-392);

  • Teodosiana (379-457).

Imperadores do Império Romano

O Império Romano ou a fase imperial da história romana teve mais de cinco séculos de duração, estendendo-se de 27 a.C. a 476 d.C. Nesse período, dezenas de imperadores assumiram o poder romano, uns sendo muito conhecidos, enquanto outros tiveram reinados considerados modestos ou até insignificantes.

A lista dos imperadores romanos foi a seguinte:

  • Augusto (27 a.C. – 14 d.C.);

  • Tibério (14 – 37 d.C.);

  • Calígula (37 – 41 d.C.);

  • Cláudio (41 – 54 d.C.);

  • Nero (54 – 68 d.C.);

  • Galba (68 – 69 d.C.);

  • Otão (69 d.C.);

  • Vitélio (69 d.C.);

  • Vespasiano (69 – 79 d.C.);

  • Tito (79 – 81 d.C.);

  • Domiciano (81 – 96 d.C.);

  • Nerva (96 – 98 d.C.);

  • Trajano (98 – 117 d.C.);

  • Adriano (117 – 138 d.C.);

  • Antonino Pio (138 – 161 d.C.);

  • Marco Aurélio (161 – 180 d.C.);

  • Cômodo (180 – 192 d.C.);

  • Pertinax (193 d.C.);

  • Dídio Juliano (193 d.C.);

  • Dinastia Severa (193 – 235 d.C.);

  • Sétimo Severo (193 – 211 d.C.);

  • Caracala (198 – 217 d.C.);

  • Geta (209 – 211 d.C.);

  • Macrino (217 – 218 d.C.);

  • Heliogábalo (218 – 222 d.C.);

  • Alexandre Severo (222 – 235 d.C.);

  • Maximino Trácio (235 – 238 d.C.);

  • Gordiano I (238 d.C.);

  • Gordiano II (238 d.C.);

  • Pupiena (238 d.C.);

  • Balbino (238 d.C.);

  • Gordiano III (238 – 244 d.C.);

  • Filipe, o Árabe (244 – 249 d.C.);

  • Décio (249 – 251 d.C.);

  • Galo (251 – 253 d.C.);

  • Emiliano (253 d.C.);

  • Valeriano (253 – 260 d.C.);

  • Galiano (260 – 268 d.C.);

  • Cláudio II Gótico (268 – 270 d.C.);

  • Quintilo (270 d.C.);

  • Aureliano (270 – 275 d.C.);

  • Tácito (275 – 276 d.C.);

  • Probo (276 – 282 d.C.);

  • Caro (282 – 283 d.C.);

  • Carino (283 – 285 d.C.);

  • Diocleciano (284 – 305 d.C.);

  • Maximiano (286 – 305 d.C.);

  • Constâncio Cloro (305 – 306 d.C.);

  • Galério (305 – 311 d.C.);

  • Constantino I (306 – 337 d.C.);

  • Licínio (308 – 324 d.C.);

  • Constantino II (337 – 340 d.C.);

  • Constante I (337 – 350 d.C.);

  • Constâncio II (337 – 361 d.C.);

  • Juliano (361 – 363 d.C.);

  • Joviano (363 – 364 d.C.);

  • Valentiniano I (364 – 375 d.C.);

  • Valente (364 – 378 d.C.);

  • Graciano (367 – 383 d.C.);

  • Valentiniano II (375 – 392 d.C.);

  • Teodósio I (379 – 395 d.C.);

  • Honório (395 – 423 d.C.);

  • Constantino III (usurpador, 407 – 411 d.C.);

  • Constâncio III (421 d.C.);

  • Valentiniano III (425 – 455 d.C.);

  • Petrônio Máximo (455 d.C.);

  • Ávito (455 – 456 d.C.);

  • Majoriano (457 – 461 d.C.);

  • Líbio Severo (461 – 465 d.C.);

  • Antêmio (467 – 472 d.C.);

  • Olíbrio (472 d.C.);

  • Glicério (473 – 474 d.C.);

  • Júlio Nepos (474 – 475 d.C.);

  • Rômulo Augusto (475 – 476 d.C.).

Como surgiu o Império Romano?

Como mencionado, o Império Romano se estabeleceu como resultado da guerra do Segundo Triunvirato. Esse Triunvirato era formado por Otávio, Marco Antônio e Lépido, transformando-se em uma guerra civil porque Otávio e Marco Antônio ambicionavam o poder para si. Em 33 a.C., uma guerra entre os dois se iniciou, mas Marco Antônio foi derrotado em 31 a.C.

Os historiadores entendem que Otávio iniciou o Império Romano somente em 27 a.C., quando recebeu o título de Augusto, um título que dava a ele uma conotação sagrada, permitindo que ele pudesse ser venerado. Isso é entendido como uma demonstração de poder, reforçando sua posição como imperador.

Declínio do Império Romano

Os historiadores consideram, em geral, que a crise que levou à desagregação romana se iniciou no século III. Essa crise se iniciou na economia romana, com esta dando sinais de enfraquecimento, e ampliou-se para outras áreas, como a política romana, marcada por uma grande instabilidade e corrupção.

Ambas afetaram os exércitos romanos, enfraquecendo o domínio romano nas diversas terras que ocupavam. Acredita-se que o ponto de partida para isso teria sido a crise do sistema escravista romano. Havia uma enorme dependência romana por escravos, obtidos a partir das guerras de expansão promovidas por Roma.

No século II, a expansão romana desacelerou, não havendo novas terras conquistadas a partir dali. Nesse momento, os exércitos romanos assumiram uma posição defensiva para garantir a proteção das fronteiras romanas. Com o fim das guerras de expansão, a obtenção de escravos foi severamente prejudicada.

Sem obter escravos suficientes, a economia romana se estagnou e viu sua produção não ser suficiente para suprir as demandas internas. A produção baixa resultou em aumento do custo de vida, mas também afetou os cofres romanos, que passaram a registrar uma redução na arrecadação. Com isso, começou a faltar dinheiro para o império cumprir suas demandas.

As possibilidades mais claras de contornar isso eram:

  • reduzir gastos com as tropas;

  • aumentar a arrecadação com os impostos.

Mas as duas possibilidades eram ruins, pois a primeira deixava as fronteiras romanas desprotegidas, e a segunda poderia causar levantes populares. Administrar o império e conciliar os diferentes povos sob domínio romano tornou-se uma tarefa árdua. Na economia, tentou-se o congelamento de preços; na política, a tentativa foi fragmentar o império.

Em 395, o Império Romano foi divido em duas porções: uma ocidental, com capital em Roma, e uma oriental, com capital em Constantinopla. A crise romana, no entanto, seguia, mas a divisão fortaleceu a decadência da porção ocidental. Enquanto essa porção definhava, a porção oriental prosperava.

A situação romana ainda se agravava com a violência na disputa pelo poder, a corrupção, e todo esse cenário ganhou uma porção catastrófica com as invasões germânicas. Os povos germânicos habitavam o norte da Europa, estando além das fronteiras ao norte dos romanos no continente europeu.

Esses povos se concentravam para além do rio Danúbio, sendo marcados por sua grande diversidade, havendo diferentes povos, como alamanos, suevos, francos, godos, hérulos, saxões, burgúndios, vândalos, entre outros. Esses povos sempre foram uma ameaça às fronteiras romanas, mas a partir do século III começaram a migrar, reforçando a pressão sobre Roma.

Os historiadores não sabem ao certo o que motivou essas migrações, especulando que pode ter sido busca por melhores terras ou com climas melhores, fugas de outros povos, etc. O que importa é que essas migrações reforçaram a pressão sobre as fronteiras romanas, intensificando a crise.

Esses povos atacavam os romanos, invadindo suas terras, saqueando-as e fazendo com que o domínio romano nesses locais fosse questionado. A pressão dos diferentes povos germânicos fez com que Roma fosse saqueada pelos visigodos, em 410. Em 476, Roma não suportou a pressão, tendo seu imperador Rômulo Augusto retirado do trono pelos hérulos.

As terras do Império Romano do Ocidente foram ocupadas por diferentes povos germânicos, dando origem a diferentes reinos. Já as terras do Império Romano do Oriente passaram a ser parte do Império Bizantino, existindo sob domínio de Constantinopla até 1453.

Leia também: A relação entre a expansão romana e o escravismo

Quanto tempo durou o Império Romano?

O Império Romano, enquanto a última fase da história romana, estendeu-se de 27 a.C. a 476. A história romana, no entanto, iniciou-se em 753 a.C., quando a cidade de Roma foi fundada.

Exercícios sobre Império Romano

Questão 01

(EVO Concursos – adaptado) “O __________________foi uma aliança política fez com que Marco Antônio, Otávio e Lépido governassem juntos a República Romana entre 43 a.C. e 31 a.C”.

Assinale a alternativa abaixo que completa de maneira correta a lacuna acima:

a) Primeiro Triunvirato

b) Segundo Triunvirato

c) Terceiro Triunvirato

d) Quatro Triunvirato

e) Quinto Triunvirato

Resposta: Letra B.

O Segundo Triunvirato foi iniciado pouco tempo depois do assassinato de Júlio César, sendo marcado pela rivalidade entre Otávio e Marco Antônio. Ambos queriam o poder para si, dando início a uma guerra civil que se encerrou com a vitória de Otávio. Em 27 a.C., Otávio se tornou Augusto, iniciando a fase imperial.

Questão 02

(Ameosc – adaptado) Acerca das características do período denominado “Antiguidade Tardia”, julgue as frases abaixo.

I. O cristianismo se tornou a religião oficial do Império Romano sob Constantino, influenciando profundamente a política, a cultura e a sociedade.

II. Houve uma transformação econômica, com o enfraquecimento do comércio e o declínio de diversas estruturas urbanas.

III. O sistema feudal dominou, com uma estrutura de senhores e vassalos, e a economia era predominantemente agrícola, baseada em propriedades rurais.

Está(ão) CORRETA(S) a(s) seguinte(s) proposição(ões):

a) Apenas, II e III.

a) Apenas, II.

c) I, II e III.

d) Apenas I e II.

e) Todas alternativas estão incorretas.

Resposta: Letra D.

A “Antiguidade Tardia” é fruto de uma periodização da historiografia que engloba o período da crise romana, sua desagregação e as transformações que ocorreram a partir disso. Assim, engloba períodos que se estenderam do século III ao VIII. Na questão apresentada, temos duas informações corretas para o período: o crescimento e consolidação do cristianismo e o enfraquecimento do comércio romano e a ruralização da Europa Ocidental com a decadência do Império Romano.

Créditos da imagem

[1] Wikimedia Commons

Fontes

BEARD, Mary. SPQR: uma história da Roma Antiga. São Paulo: Planeta, 2017.

LE GOFF, Jacques. As raízes medievais da Europa. Petrópolis: Vozes, 2011.

Por Daniel Neves Silva

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